• João Vicente

A coleção do Museu Cristão e Bizantino de Atenas

Atualizado: Jan 22

Caros Leitores,


Em outubro, dei uma passada rápida em Atenas enquanto estava numa excursão na região de Peloponeso, na Grécia, e aproveitamos para visitar o Museu Cristão e Bizantino de Atenas. O acervo desse museu é bastante extenso e variado, composto por peças achadas por toda Grécia, mas principalmente em Atenas. Apesar do foco ser a continuidade de uma vida “bizantina”, isto é, grega e cristã-ortodoxa, na Grécia durante o domínio otomano (1453-1821), o museu tem belas peças bizantinas que faz a visita valer a pena.


Durante minha visita, eu tirei algumas fotos e postarei aqui algumas delas, das peças que achei as mais interessantes.



Essa é uma representação paleocristã de Jesus Cristo (Corinto, sec. IV) como “Bom Pastor”. Tais representações inspiradas em imagens pagãs eram bastante comuns nos primeiros séculos do Cristianismo. Era tanto uma forma de adaptar a nova religião a civilização greco-romana quanto uma forma de disfarçar o culto cristão em épocas nas quais ele era ainda proibido. A imagem crística com a qual nós estamos acostumados só passa a ficar mais popular a partir do século VI.


Essas ampolas de argila são como souvenirs de viagens. Elas eram recipientes que continham óleo abençoado que os peregrinos adquiriam em centros de peregrinação e levavam para suas regiões de origem. Então, através do aparecimento de tais ampolas em achados arqueológico,  os historiadores conseguem analisar a movimentação de pessoas no mundo medieval.


A imagem acima mostra um painel em alto relevo do século V retratando o Cristograma envolto em louros.


Essa túnica e esses calçados num estado de conservação invejável (poderiam mesmo ser vestidos) são de origem egípcia.


A túnica infantil de lã com detalhes tecidos de pessoas, animais e pássaros foi feita no século VI e os calçados de couros com detalhes dourados são de entre os séculos IV e VIII.


Esse conjunto de pratarias com candelabros, colheres, panela e pratos faz parte do “Tesouro de Militene” que foi achado numa localidade com esse nome na ilha de Lesbos em 1951. Essas peças foram enterradas junto de moedas e joias por seus donos na metade do século VII, provavelmente para mantê-las temporariamente escondidos durante um ataque inimigo.



As fotos acima são de uma cópia de um crisóbulo – um édito imperial – de Andrônico II Paleologo (1282-1328) datado de 1302. Ele confirma os privilégios concedidos ao metropolita de Monemvasia, Nicolau (1283-1325). Na parte de cima do manuscrito, há a imagem do imperador entregando o manuscrito a Cristo, significando a seriedade do comprometimento descrito no documento, e abaixo há a assinatura de punho do imperador.



As fotos acima são de moedas e selos bizantinos, aos quais decidi dar destaque.

(em ordem de cima para baixo)


– Solidus de ouro: Justiniano I (527-565)


A cota de malha, coifa e capacete de bronze acima fotografados são de entre os séculos XIII e XV e de origem provavelmente oriental.



Foto acima retrata Ícone de Santa Catarina, século XIV.



Esses afrescos datados de entre os séculos XI e XIII retratando diversos santos me chamaram atenção devido ao estilo mais naturalista no qual eles foram feitos, difererindo significativamente da produção bizantina contemporânea a elas. Sinceramente, elas me recordam mais a produção clássica do período tardo-antigo como os mosaicos de Ravena.  


As duas ilustrações acima feitas em pergaminho e datadas de entre os século XIV e XV retratam São João, o Evangelista (a esqueda) e São Marcos, o Evangelista (a direita).


O ícone acima retratando Maria amamentando o menino Jesus (Galaktotrophousa) acompanhada de João Batista e São Rokkos feito no século XVI sob domínio veneziano é um exemplo da hibridização e influência cruzadas dos estilos de pintura bizanto e veneziano. Vemos um tema bastante bizantino, mas retratado num estilo mixto tendendo ao renascentista.


A imagem acima retrata um édito (Firman) do sultão Selim III de 1806 confirmando os privilégios do bispo de Palaiai Patras. 

Terminarei esse post com uma imagem bastante curiosa. Esse ícone retrata São Cristóforo, mas com a cabeça de um animal, muito provavelmente um cachorro. Porque? Eu não sei. Se alguém tiver ideia do que motivou o autor a retratar esse santo com cabeça de um cão, por favor entre em contato comigo. Estou aberto a sugestões.


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