• João Vicente

Colunas de São Pedro: a política papal na Idade Média Central

Atualizado: Jan 28

Eu recebi esse aviso por e-mail. É o anúncio de um livro que trata de um assunto que me interessa particularmente: o desenvolvimento do poder papal durante a Idade Média.


Ainda que o bispo de Roma tenha uma primogenitura simbólica frente aos seus colegas orientais por ser o sucessor de Pedro, o príncipe dos apóstolos, o papa não era mais de que um funcionário dos imperadores romanos e depois bizantinos no início da Idade Média. No entanto, a medida que a influência bizantina diminuía na Cristandade Ocidental, o patriarca de Roma tornava-se mais autônomo e mais desafiador frente as ordenações imperiais.


A coroação de Carlos Magno, o rei dos francos, como imperador do ocidente, no natal do ano 800 foi, ao mesmo tempo, um ato de rebeldia e de busca de um outro patrono laico. No entanto, essa iniciativa criou uma relação diferente daquela que o Papa tinha com o imperador bizantino. Enquanto o posto de bispo de Roma era um benefício dado e controlado pelo imperador, o posto de imperador do Ocidente era um benefício dado ao rei franco pelo Papa.


A situação se inverte e planta a primeira semente de um processo em que os príncipes da Europa Feudal tornaram-se vassalos do Papa. Os imperadores bizantinos não aceitam essa situação e insistem por muito tempo em tratar o Papa da mesma forma que tratavam os patriarcas de Constantinopla, como um funcionário responsável pelos assuntos eclesiásticos.


O cenário muda com os Paleólogos, que, desesperados por uma ajuda ocidental contra os turcos que nunca chegou, aceitou subordinarem-se ao Papa, não sem criar profundas rachaduras na sociedade bizantina, que, em grande parte, preferiam “o turbante do sultão do que a mirra papal“.


****

Prezados,


Gostaria de informar o lançamento do meu livro “ ‘Colunas de São Pedro’: a política papal na Idade Média Central ” (Annablume, 2011, 572p.), concluído no âmbito do Vivarium – Laboratório de Estudos da Antiguidade e do Medievo (UFMT).


O tema primordial do livro consiste numa história institucional do papado entre os séculos XI e XIII. Assim estabelecida na sua aparente simplicidade, a obra em questão poderia parecer pretender remeter os seus leitores ao Oitocentos e à culminância dos discursos oficiais do poder. Ledo e absoluto engano! Seu autor restabelece uma “temática de outrora” em bases conceituais radicalmente outras. Desta perspectiva primordial inovadora decorre uma segunda e a meu juízo ainda maior contribuição, nesse caso à História Medieval, na medida em que restabelece de forma muito mais equilibrada e plena a abordagem de um dos temas mais caros aos especialistas do período em questão: Leandro Rust promove uma profunda revisão crítica do suposto “programa ou projeto reformador” levado a cabo pelo Papado durante a Idade Média Central, mais conhecido do público leitor pelo pomposo e vigoroso título de Reforma Gregoriana.” (da Apresentação, por Mário Jorge da Motta Bastos)

Saudações,


Leandro Rust Universidade Federal do Mato Grosso Programa de Pós-Graduação em História Vivarium – Laboratório de Estudos da Antigüidade e do Medievo


2 visualizações0 comentário