• João Vicente

Evangelho bizantino na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro

Atualizado: Abr 25

Um dia desses estava folheando um livro sobre a Biblioteca Nacional na casa de uma conhecida e fiz uma descoberta interessante: o  item mais antigo do acervo da BN é um evangelho bizantino do século XI ou XII.


Não havia muitos dados na publicação além do nome, datação e uma pequena imagem, por isso fui atrás de mais informações. Achei alguns artigos, por exemplo esse do Jacinto Lins BRANDÃO  e esse do Paulo José BENÍCIO, falando das técnicas de manufatura e escrita desse livro, além da ficha catalográfica e da digitalização do manuscrito no próprio site da Biblioteca Nacional.


Esse códice contêm os quatros evangelhos canônicos (Marcos, Mateus, João e Lucas) do Novo Testamento.


Imagem interna da Biblioteca Nacional (Fonte: Folha.com)

Imagem interna da Biblioteca Nacional (Fonte: Folha.com)


Ao analisarem as técnicas de manufatura e as formas de escrita, eles consentiram de que se trata de uma obra de fabricação monástica bastante simples do século XI ou XII.


Além dessa análise material e linguística, a única informação que se tem da procedência desse códice é que ele foi doado pelo estadista e intelectual brasileiro de origem grega João Pandiá Calógeras.


Um dos fólios do Evangelho Grego da BN (sec XI-XII). Retirado do site da Biblioteca Nacional.




Índice do Evangelho Grego do BN (sec XI-XII) Retirado do site da Biblioteca Nacional. 


Pandiá Calógeras era membro de uma privilegiada família de ascendência helênica da ilha de Corfu, na Grécia, e teve uma bem sucedida carreira política, sendo Ministro da Guerra e representante do Brasil no Tratado de Versalhes, que oficializou o fim da Primeira Guerra Mundial em 1918. Esse códice bizantino doado a Biblioteca Nacional em 1912 era parte de sua coleção pessoal e provavelmente pertencia a legado de sua família vinda da Grécia.


João Pandiá Calógeras. Tirado de clickeducacao.com.br


Aparentemente não há nada extraordinário nesse códice, mas é interessante saber que o mais antigo item do acervo de nossa Biblioteca Nacional é um manuscrito bizantino. É importante lembrar que a cultura livresca é um dos principais legados que essa civilização deixou. Se não fosse pelo o inabalável interesse literário bizantino, que persistiu nas épocas de mais profundas crises políticas e sociais, e pelo enraizamento muito maior do letramento em Bizâncio em comparação ao Ocidente Medieval, diversas obras da Grécia Clássica e dos primeiros tempos do Cristianismo estariam perdidas.



São Marcos escrevendo seu evangelho, bizantino – século XIII. Retirado de Victoria & Albert Museum em Londres.




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