• João Vicente

Links bizantinos e projeto “Byzantium1200”.

Atualizado: Abr 25

Nós historiadores somos parte de uma área de conhecimento que não é, por assim dizer, muito hype (termo utilizado para descrever pessoas antenadas com as mais recentes novidades em tecnologia de informação). Poucos são os historiadores que tem um blog, muito menos twitter ou facebook. Talvez por passarmos boa parte do tempo nos dedicando o passado, nós não enxergamos as múltiplas possibilidades de trabalho que as atuais tecnologias digitais no oferecem. E são muitas.


Todavia, isso não é de regra. Algumas iniciativas estão surgindo e vão desde catalogação, digitalização de fontes e sua disponibilização online até a reconstrução de edifícios e cidades inteiras utilizando tecnologias gráficas digitais. Então, para relacionar todas essas admiráveis iniciativas que auxiliam no desenvolvimento e na difusão do conhecimento histórico na internet, principalmente dos estudos bizantinos, criei a categoria “links bizantinos”.


O primeiro deles será meu favorito: o projeto Byzantium1200. Inspirado na imagem de Constantinopla feita por Alan Sorell, Patrick Clifford e o bizantinista alemão Albrecht Berger, que é consultor histórico do projeto, estão realizando uma impressionante reconstrução gráfica 3D dos edifícios e da própria cidade de Constantinopla como ela deveria ser no ano 1200. Para isso foi utilizado evidências topográficas, escritas e arqueológicas.


Byzantium 1200 de Feiland Media no Vimeo.


Constantinopla chega a um novo ápice de vida urbana no final do século XII. Nunca essa cidade foi tão populosa. Não se sabe muito bem o número de habitantes, as estimativas ficam entre 250 mil a um milhão, mas com certeza Constantinopla era a maior cidade da Cristandade e possivelmente a maior do mundo. No entanto, esse momento de intensidade urbana foi abruptamente terminado com o saque de Constantinopla realizado pelos guerreiros da Quarta Cruzada, em 1204. Por isso, os autores desse projeto escolheram a data de 1200, pois localiza a reconstrução digital 3D num momento em que a cidade e os monumentos arquitetônicos estavam em seu auge e alguns anos antes desse catastrófico evento, do qual Bizâncio nunca se recuperou inteiramente.


O projeto vem de desde 1994, portanto já está num estágio bastante avançado e já é possível ver imagens de vários edifícios, sendo que os mais impressionantes são o Hipódromo e o Grande Palácio. Já foi publicado até um livro: “Walking Thru Byzantium"


A História é muitas vezes encarada como uma sequência de datas e nomes sem nenhuma relação com a vida humana, problema que o Império Bizantino sofre mais intensamente. Portanto, iniciativas como essa dão uma concretude maior a História. Ao vermos esses edifícios, mesmo que reconstruídos digitalmente, podemos imaginar as pessoas que o utilizaram, que, mesmo tendo vivido há séculos atrás, elas na verdade não eram muito diferentes de nós e, desse modo, percebemos o sentido daquela descrição clássica da História: “a ciência do homem no tempo”. Pois bem, os tempos mudaram, mas “o homem” persiste.


Obs: É importante ressaltar que as reconstruções não retratam os edifícios como eles de fato estavam no ano 1200. Os estados de conservação variavam bastante e boa parte deles deveriam estar muito mal conservados.



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