• João Vicente

Miniaturas do Skylitzes Matritensis

Atualizado: Abr 25

O documento amplamente conhecido como Skylitzes Matritensis é um manuscrito contendo a obra “Σύνοψις Ἱστοριῶν” ou “Sinopses de Histórias”, escrita por João Skylitzes. Nessa obra de fins do século XI (discussão sobre datação abaixo), o autor cobre o período entre a morte do imperador bizantino Nicéforo I, em 811, e a deposição do imperador Miguel VI, em 1057.

Além de ser uma importante fonte para o período tratado, a obra de Skylitzes é uma fonte pictográfica de primeira importância, pois um dos manuscritos que chegou até nós, o “matritense” anteriormente referido, é composto por mais de 500 miniaturas que retratam diversos eventos narrados no texto. Ele é chamado dessa forma pois atualmente está arquivado na Biblioteca Nacional de Espanha, em Madrid.


Acadêmicos que se debruçaram sobre essa cópia afirmam que ela foi realizada na Itália entre os séculos XII e XIII. Ainda que, nesse período, nenhuma parte da península italiana não mais estivesse sob domínio de Constantinopla, a longa presença permitiu o surgimento de vários centros de tradição bizantina que perduraram muitos séculos depois que a autoridade imperial não se fazia mais valer naquela região. Muito provavelmente foi  em um desses centros que o Codex Matritensis foi composto.


Já a obra original é datada durante o reinado de Aleixo I Comneno (1081-1118). A historiadora britânica Catherine Holmes aprofunda-se nessa datação, afirmando que Skylitzes escreveu sob os auspícios desse imperador com o objetivo de convencer a aristocracia militar a apoiar as campanhas balcânicas de Aleixo I. Sua afirmação se sustenta no fato de que Skylitzes dá bastante foco aos feitos dos ancestrais desses aristocratas e as campanhas militares nas províncias balcânicas terem sido realizadas por Basílio II (976-1025), um imperador de memória muito prestigiada.


Atualmente esse documento é considerado uma das principais fontes iconográficas bizantinas do período pós-iconoclástico. De suas várias ilustrações, os historiadores podem estudar vários aspectos da cultura material bizantina, como construções, equipamentos de guerra (armas, armaduras e aparelhos de cerco), vestuário, alimentação etc. As miniaturas também nos permitem ter uma visão mais clara da complexa ritualística da corte imperial, cujas descrições estão, em sua maior parte, legadas a fontes escritas, que foram naturalmente dirigidas ao público da época e por isso são um pouco herméticas para nós.


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